Sabado, 01 de Agosto de 2020
Tempo: Comum

Memoria: Santo Afonso M. de Ligorio
Cor liturgica: Branco

Evangelho do dia: São Mateus 13, 44-46

Primeira leitura: Jeremias 15, 10.16-21
Leitura do livro do profeta Jeremias:

10"Ai de mim, minha mãe, que me geraste um homem de controvérsia, um homem em discórdia com toda a gente! Não emprestei com usura nem ninguém me emprestou, e contudo todos me amaldiçoam. 16Quando encontrei tuas palavras, alimentei-me, elas se tornaram para mim uma delícia e a alegria do coração, o modo como invocar teu nome sobre mim, Senhor Deus dos exércitos. 17Não costumo frequentar a roda dos folgazões e gabo-me disso; fiquei a sós, sob o influxo de tua presença e cheio de indignação. 18Por que se tornou eterna minha dor, por que não sara minha chaga maligna? Para mim te tornaste como miragem de um regato, como visão de águas ilusórias". 19Ainda assim, isto diz-me o Senhor: "Se te converteres, converterei teu coração, para te sustentares em minha presença; se souberes separar o precioso do vil, falarás por minha boca; os outros voltarão para ti, e tu não voltarás para eles. 20Em favor deste povo, farei de ti uma muralha de bronze fortificada; combaterão contra ti, mas não prevalecerão, porque eu estou contigo para te salvar e te defender, diz o Senhor. 21Eu te libertarei das mãos dos perversos e te salvarei dos prepotentes".

- Palavra do Senhor
- Graças a Deus

Salmo 58 (59)

- Libertai-me do inimigo, ó meu Deus, e protegei-me contra os meus perseguidores! Libertai-me dos obreiros da maldade, defendei-me desses homens sanguinários!

R: Sois meu refúgio no dia da aflição.

- Eis que ficam espreitando a minha vida, poderosos armam tramas contra mim. Mas eu, Senhor, não cometi pecado ou crime.

R: Sois meu refúgio no dia da aflição.

- Minha força, é a vós que me dirijo, porque sois o meu refúgio e proteção, Deus clemente e compassivo, meu amor! Deus virá com seu amor ao meu encontro, e hei de ver meus inimigos humilhados.

R: Sois meu refúgio no dia da aflição.

- Eu, então, hei de cantar vosso poder e de manhã celebrarei vossa bondade, porque fostes para mim o meu abrigo, o meu refúgio no dia da aflição.

R: Sois meu refúgio no dia da aflição.

- Minha força, cantarei vossos louvores, porque sois o meu refúgio e proteção, Deus clemente e compassivo, meu amor!

R: Sois meu refúgio no dia da aflição.

Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 13, 44-46

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Eu vos chamo meus amigos, pois vos dei a conhecer o que o Pai me revelou (Jo 15,15);

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus:

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 44"O reino dos céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo. 45O reino dos céus também é como um comprador que procura pérolas preciosas. 46Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola".

- Palavra da Salvação
- Glória a Vós, Senhor

Evangelho comentado por São Boaventura, Doutor da Igreja
Vida de São Francisco, Legenda major, cap. 7

A pérola de grande valor

De entre os dons espirituais recebidos da generosidade de Deus, Francisco obteve em particular o de enriquecer constantemente o seu tesouro de simplicidade graças ao seu amor pela extrema pobreza. Vendo que aquela que tinha sido a companheira habitual do Filho de Deus se tornara, nessa altura, objeto de aversão universal, tomou a peito desposá-la e devotou-lhe um amor eterno. Não satisfeito em deixar por ela pai e mãe (cf Gn 2,24), distribuiu pelos pobres tudo o que tinha (cf Mt 19,21). Nunca ninguém guardou tão ciosamente o seu dinheiro como Francisco guardou a sua pobreza; nunca ninguém vigiou o seu tesouro com maior cuidado que o que ele colocou em guardar esta pérola de que fala o Evangelho.

Nada o magoava mais do que encontrar nos seus irmãos algo que não fosse perfeitamente conforme à pobreza dos religiosos. Pessoalmente, desde o princípio da sua vida como religioso até à morte, não teve senão uma túnica, uma corda a servir de cinto e umas bragas como riqueza; não precisava de mais nada. Acontecia-lhe muitas vezes chorar ao pensar na pobreza de Cristo Jesus e na de sua Mãe; e dizia: «Aqui está a razão pela qual a pobreza é a rainha das virtudes: pelo esplendor com que brilhou no "Rei dos reis" (1Tim 6,15) e na Rainha sua Mãe».

Quando os irmãos lhe perguntaram um dia qual era a virtude que nos torna mais amigos de Cristo, ele respondeu abrindo-lhes, por assim dizer, o segredo do seu coração: «Sabei, irmãos, que a pobreza espiritual é o caminho privilegiado para a salvação, visto que é a seiva da humildade e a raiz da perfeição; os seus frutos são incontáveis, embora ocultos. Ela é esse tesouro escondido num campo do qual nos fala o Evangelho, pelo qual é necessário vender tudo o resto e cujo valor deve impelir-nos a desprezar todas as outras coisas».